terça-feira, 24 de abril de 2012

Arvoreando



Hoje tive a benção de encontrar uma amiga querida, que entre pausas me contou sobre o seu momento de crescimento. Pelo seu sorriso ansioso de um amanhã mais livre, ela me fez lembrar que certa vez lendo sobre a Clarice, vi que a sua primeira reportagem teve como título “Onde se ensinará a ser feliz”. Achei a idéia tão bacana e interessante, como tudo o mais que a envolve, que lembro ter pensado igual a “uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta”, como esse propósito vive a nos nortear. Hora está dentro do nosso peito, sacudindo a nossa busca eterna de alegria e paz, outrora o reconhecemos vivo muito além de nós, nas estrelas, no universo, nos encontros, em um sorriso ou na ausência dele, nos lamentos, em uma saudade, falta viva no olhar de alguém que conhecemos ou não.

É fato que o mundo anda sedento de alegria. Faltam mais peitos querendo ser lugares “onde se aprenda a ser feliz”. A trivialidade da maioria das relações e o comodismo da permanência em escolhas com significados vencidos parecem deixar todo mundo sonolento, adormecido dentro de si. É hora de aproveitar o autoconhecimento da Lispector, ricamente imortalizado nas suas palavras, e pensar como ela: O que vivo hoje, “Isto caberá nos meus dias?!” Eu penso sempre. É assim que abrigarei as minhas emoções, e me farei um baú de quases? Felizmente, é possível perceber que as pessoas que desejam menos do mundo, e mais de si, as que são mais simples, para não dizer, simplesmente desejosas de uma vida feita por um coração apaziguado, enfim começam a despertar que é passada a hora de balancear o ritmo e o motivo das decisões constantes da vida. Claro que não há garantias para uma busca que não finda, e que como nós, se altera, se renova, e se refaz, mas o interessante é que juntos iremos nos fazendo entre tudo aquilo que nos enraíza, e que ao mesmo tempo nos faz levitar,  os sonhos e as decisões. Feitos de raízes e de asas.

Para visualizar este pensamento e me renovar a direção, sempre releio uma frase do Carter que define a composição da eternidade no pouco de cada dia... "Existem apenas dois legados permanentes que podemos desejar dar a nossas crianças. Um deles é raízes; o outro, asas."

É importante estabelecer os limites e as responsabilidades de um caráter saudável, mas é igualmente sábio fazer um filho sonhar em tê-lo e vivê-lo, em uma vida feliz. Fazê-lo desejar a felicidade é a parte mágica da educação. Saber relaxar o sorriso é condição de ter baterias novas para tempos de pouca energia. Eu entendo a minha amiga e as suas expectativas de realização. Ela viu e teve isso tão perto nas suas raízes, em uma casa feliz onde cresceu, que as suas asas foram deixando-na muito longe do terreno onde gostaria de estar plantando os seus cultivos. Havia algo de inconciliável naquela equação. Não sei se projetei em mim “um lado infantil que não cresce jamais”, e por isso alimento a minha esperança com uma fé (quase) incansável, mas acredito nessa proporção. Acredito que metades de céu e de terra fazem bem aos corações. Na verdade, esse equilíbrio se dará de forma bem pessoal. Uns terão mais raízes, o que não os impedirá de querer voar mais, e outros terão mais asas, e estes também poderão desejar mais concretude em seus caminhos. Para isto, a vida concede as podas, que serão sempre necessárias. Elas construirão a forma que cresceremos e o rumo que tomaremos durante a nossa expansão, e se farão presentes sempre que tivermos crescido desordenadamente para baixo ou para cima. Há sempre uma chance de realinhamento.

Sei que entre ter crença e achismos, solidez e flexibilidade, vontades e limites há tanto chão, são tantas noites de frio, onde choramos a escuridão das incertezas, mas para estes momentos existem os sonhos que nos fazem chegar aos céus em poucos segundos. Eles são os horizontes revelados através do universo imaginário que carregamos inconscientemente, e feitos para aliviar o peso de quem, a exemplo da Maria de Milton, é a mistura de “dor e alegria”, nos ensinam o quão gigante é o nosso mundo de possibilidades...“Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonhos sempre. Quem traz na pele esta marca, possui a estranha mania de ter fé na vida.”

A vida pode sim ser feita pelas nossas mãos, com as escolhas que fazemos e alcançamos, mas como diz o Padre Fábio de Melo: “ Quando eu acredito, é a mão de Deus que me alcança”. E nada mais justo, forte e pacífico do que ela, a mão de Deus, com suas podas, moldes e proteção.

Mona.
Crato, Abril de 2012.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Composição



"Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido."

Lispector

Felicidade



"É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."

Clarice Lispector

Tesouro


"Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver, desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade."

Clarice Lispector

Love, is all you need.



http://youtu.be/_OuYLGHkrBk

 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Just a prayer, save...

Acreditar


...E quem, entre sonhos, já não ergueu seus castelos de areia, os viu ruir em um piscar de olhos, e sentiu-se muito triste...? Acho que todos nós. E dói, eu sei que dói. Mas dói até descobrirmos que este tipo de construção é infinita, e teremos muito tempo e chances para refazê-la da melhor forma, quando entre esperança e alegria, (re) acreditarmos que como tudo o mais que envolve sentimentos, também uma vida inteira é feita em "um dia de cada vez".

Mona
Crato, abril de 2012.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ser feliz é simples.



"As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer aos outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza. O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto. Essa é a razão porque a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz. Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas.”

Clarice L.

Adoro ler o Caio F. pedindo para a gente " filtrar as emoções". Tento nunca esquecer desta sugestão, porque a acho encantadoramente real. Somos compostos por tudo que colocamos coração adentro, e é a soma disto que absorvemos que nos torna mais leves, ou não, pela vida afora. Como todos os filtros, também este serve para evitar o contágio do que é bom, com o que deveria ser infértil, mas não é, e sendo mal, prolifera-se caso encontre espaço, e pode matar por contaminação. Sinto que para evitar tamanha poluição, devemos usar o perdão. Ele afasta grandes impurezas como o ódio, a tristeza, ingratidão e soberba.

Queria que isso fosse fantasia, ou ainda exagero, mas não o é. Conheço pessoas que vivem, porque têm um coração que bate e estão de pé, mas não têm alegria, ou se têm, ela é simulada, não convence. Para mim, não há morte mais lenta e dolorosa que esta que nos faz existir entre as palpitações e os descompassos dos maus sentimentos. É como esperar a chuva passar e não florir com ela, porque as sementes ficaram esquecidas em mãos que não se abriram para alcançar uma nova estação. Não há plantio para as sementes que não são lançadas ao chão nosso de cada dia. Por isso, soltemo-nas todas ao tempo e "velejemos com todos os ventos". O melhor de tudo é aprender que muitas quedas não nos farão cair, mas o inverso, nos acrescerão sentidos e significados. Eu que "sofro de esperança", e acredito na chance de redenção para qualquer ser que "vive", sei que Deus nos espera por toda a eternidade, com Sua paciência singular, fértil de amor e alegria. Para quem desejar, haverá sempre o sol, que rege o novo dia,  a nos orientar sobre o tempo, para que nos vejamos também novos, sob a sua luz infinita.

Assim como o CFA, também Buda ensinou: "Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo"... O mundo de fora, e mais precisamente o de dentro, que é onde todo o universo começa. Nos dois mundos que devemos conciliar, que sejam apaziguados os nossos olhares para tudo que existe. Que sejamos bons e tenhamos melhores propósitos, que nos saibamos pequenos e tenhamos grandes atitudes, que nos reconheçamos aprendizes mas que a nossa boa vontade cresça, e entre melodias, musiquemos o novo que há em cada amanhecer. É importante que mulipliquemos a esperança! Ela, aliada ao amor, não deixará que ninguém morra, quando ainda vivo. 

Desejando a beleza que a tudo vence, peço "que meus olhos possam continuar se alargando sempre", para que eu jamais esqueça que "felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas”,...porque ela me habita, eu posso senti-la, e de tão presente, quase posso vê-la, não importando que tenha os olhos abertos ou fechados. Mas sempre que eu os abro, a realço lembrando que "se posso me adornar com a alegria, não é a tristeza que eu vou tecer".

Desejemos ser felizes, abrindo caminho "entre nossos medos bobos e coragens absurdas!"
Acreditemos na felicidade, e mesmo que não saibamos muito, sobre nada, e como Rumi "...estejamos apenas intoxicados com um copo de amor", o simples esforço para sê-lo, no mínimo, nos dará uma rica e imediata recompensa, a alegria.

Mona..
Crato, abril de 2012.

E sempre haverá beleza nas coisas do Alto...

Cold



...E entre tanto caos, humano ou ambiental, acho que "O mundo está ao contrário, e ninguém reparou..."

http://youtu.be/R1horffGyO0

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sonhar é bom, viver é melhor.



"Segunda-feira é mais difícil porque é sempre a tentativa do começo de vida nova.
Façamos cada domingo de noite um reveillon modesto, pois se meia noite de domingo não é começo de Ano Novo é começo de semana nova, o que significa fazer planos e fabricar sonhos."

Clarice Lispector

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Love with details.




http://youtu.be/XdIw6tEjyEg

Para lembrar


Quanto vale ir pela "estrada afora", cantando o rumo, enquanto ele se faz?
Priceless.
Porque para todo caminho, há um coração e dois pés.
Nem sei se chego neste ou naquele destino, o que quero mesmo é ir feliz.

Mona
Crato, abril de 2012.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Com a voz, Leoni e Dinho Ouro Preto - Garotos II.



http://www.youtube.com/watch?v=qLxWp072hXo&feature=youtu.be

Alegria.



Clarice que conheceu a si mesma como poucos, nos revela a divindade que há por dentro...:

"Então você não sabe como você é por dentro? Você é cristal tilintando, você é ouro que refulge, você é uma rosinha branca que tem cheiro divino, você é uma nuvem rodada no céu bem azul, você é misteriosa como a Lua e brilhante como o Sol que nos aquece"

Vivamos a benção de nos descobrir!
Ao escutarmos os nossos sons, e reconhecermos o nosso perfume, encantaremos a nós mesmos, e iluminaremos o nosso destino com a alegria de saber quem somos. Únicos, milagrosos e abençoados, temos a feliz obrigação de ver além do que podemos, para ser e viver a completude com a qual nosso Pai nos criou.

Mona.
Crato, abril de 2012.

domingo, 8 de abril de 2012

Feliz Páscoa!!





"O segredo para nos desfazermos de uma vida velha, desvalorizada, entristecida, marcada por mágoas, ressentimentos e impulsos de vingança, que traz o peso dos erros e pecados do passado, carregada de culpa pelas más escolhas que fizemos, é dada pela Palavra de Deus, que, como um Pai misericordioso, nos coloca no colo e nos indica o caminho:

“Se alguém está em Cristo, é criatura nova.
O que era antigo passou, agora tudo é novo”
(II Cor 5,17).

O Padre Airton Freire costuma nos ensinar através das suas palavras e atitudes que nenhuma estação dura para sempre. É parte do nosso aprendizado e do fortalecimento da nossa fé passar resilientes por elas, renovando-nos após cada passagem. O Nosso Pai é grandioso e vive a nos esperar, amando-nos mesmo que sejamos fracos e pecadores, porque o que importa para Ele é o que está no nosso coração. Pelas nossas atitudes melhoradas e generosas, Ele esperará todos os dias, com  misericórdia e paciência, porque sabe que este bom tempo há de florescer em nós.

O entendimento do que é a Páscoa nos possibilita uma grande oportunidade para construir este momento novo, em uma vida que pode ser sempre nova, sem medos, feita sob bons propósitos, com confiança e entrega.

Feliz Páscoa para todos nós.

Mona
Crato, abril de 2012.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Asas.


"Nenhuma pessoa é lugar de repouso."
Duclós

"Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas. sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.”
Martha Medeiros

Resolvi enfim levar o meu carro à revisão. O tempo ido além do marcado me obrigou a organizar isto como prioridade. Pensei que gastaria algumas horas do meu dia entre o não tão rápido e o muito enfadonho de sempre, além de ver pessoas que em outra língua, falam sobre peças, reposição e condução. Como posso esquecer que a vida surpreende-nos sempre que a colocamos na inércia de uma rotina que ela não aceita para si? Incrível entender que mesmo tudo estando aparentemente encaixado, uma das rodas, o sistema de freio ou suspensão nos mostram o poder da sintonia, ou da falta dela.

O senhor que me atendeu levou-me a uma sala clara, com apenas uma mesa e duas cadeiras. Pelo tom, achei que precisaria de concentração para entender a explicação que viria logo após o trinco da porta anunciar que era hora.

- O seu carro está acomodado, senhora. Avisamos na última revisão que a velocidade média até os 10.000km deveria ser abaixo de 80km/h a fim de evitar que as peças aprendessem a gastar esta quantidade de combustível que é gasta a mais quando temos uma velocidade maior, caso tivesse cumprido isso, certamente a senhora teria um carro mais econômico.

Pensei por intermináveis três minutos, e enquanto ele achava que eu não entendera o que ele me dissera, me via muito longe das suas lições de economia periférica. Com o meu pensamento, saí da sala, entrei na central do meu coração... Algo estava errado...“as peças aprendessem?” Então hoje em dia até as peças de carro, feitas em série, iguais e torneadas em qualquer lugar do planeta, viciam-se limitadamente ao aprendizado comum, ou dependendo de quem as conduz, podem aprender sobre como fazer o que é série ser singularmente melhor? Será isso redundante?

Percebi que assim como no meu carro, também na minha vida há peças sem o devido (mesmo que eu não o almeje perfeito) encaixe. Estes desencontros de engrenagens reduzem o aproveitamento e desempenho dos meus sentimentos como um todo, e que guardados em algum lugar entre o porta luvas, o que virá e o que passou, deveriam ser colocados todos na linha de ordem do que é mais verdadeiro e importante para que tudo funcione com sequência e alegria. Na próxima revisão tentarei que estejam em um melhor lugar.

“Verdadeiro e importante”...
Isso me fez lembrar do Neruda quando ele diz que “A verdade é que não há verdade”...Olhando para o atendente mesmo sem vê-lo, entre risos ouso contrariar o Neruda e me declaro que acredito na existência das verdades, embora aceite que elas sejam variáveis. A verdade existe, mas ela é tão fluida e particular que podemos perdê-la entre a primeira e a segunda marcha. O que é importante é que aprendamos o tempo entre uma e outra, a fim de evitar o prejuízo daquelas peças que acumulam erros – de fábrica- em uma parte tão bacana da sua composição, a memória.

Como Goethe, sei também que “Pensar é fácil. Agir é difícil. Agir conforme o que pensamos, isso ainda o é mais”. E eu diria que entre pensar e agir, está o sentir, que interfere absolutamente no que vai acontecer dessa junção veloz e ansiosa. Quanto à velocidade, ela é vontade pessoal e intransferível de cada condutor. Não há ajustes ou medidores capazes de limitar esta intensidade latente. Sem saber como, me vejo de asas curtas, voando sobre trilhos, com o chão quase aos meus pés, e penso que a Lispector me corrigiria dizendo: "Não entenda, apenas sinta. Tenha medo de um dia entender e deixar de sentir!” 

O senhor a minha frente me chama pela segunda vez...:
- Senhora? Entendeu o que eu lhe disse? Será necessário trocarmos a válvula principal do tanque. É ela que está interrompendo todo o fluxo normal do abastecimento.

Sim, entendi. Devo trocar de asas. Devemos fazer jus àquelas que ganhamos ao nascer. "Suas asas, amor, quem deu fui eu, para ver você conquistar o céu." E se ele é o limite, muitas e tantas vezes durante a vida, caso  tivermos outros destinos, devemos trocar de asas, de vôos e de sonhos, mesmo que estes sejam as peças principais dos motores que nos fazem partir, que nos abastecem, e nos transportam. Com muitos pensamentos ricos, ganhei impagáveis horas a mais em um dia novo. Entrei no carro e vi que na ignição dos meus sentimentos tem um chaveiro onde está escrito: "Que medo alegre, o de te esperar!"

Desejando alcançar os astros, sigo com os meus passos românticos. Para mim, a vida sempre será de contos. Se forem de fadas, ótimo. Ela será ainda melhor.

Mona.
Crato, abril de 2012.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Quase.


"Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, me entristece, me mata trazendo tudo que poderia ter sido...e não foi!"

Veríssimo

sexta-feira, 30 de março de 2012

CL



"Eu sou à esquerda de quem entra, e estremece em mim o mundo, (...)Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. Sou um coração batendo no mundo.

...Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder, eu te perderia.”

Clarice Lispector

Vício.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Coração.



"Eu sou uma eterna apaixonada por palavras, música e pessoas inteiras.
Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, ou quanto carrega no bolso.
Pessoas vazias são chatas e me dão sono."
...E quem sente tanto, chega a estranhar quem não sente. É que meu calor se aflige com o que é morno. Quem tem o coração acelerado – o que certamente floresce as inconstantes e agitadas “borboletas no estômago” – aprendeu que compartilhar a alegria é multiplicá-la, doando asas aos seus sentimentos até parecer viver suspenso por eles. A esta altura, o mesmo olhar que te pede para me ouvir estende a mão e convida a voar junto.
O que importa acima de tudo, em qualquer rota de vôo, é que devemos percorrê-la carregando um coração cheio de vontade. Pesará menos nos pousos e decolagens que faremos durante a vida inteira. Diria que o contrapeso pode ainda ser saudade, amor, frio, alegria, nostalgia...mas alguma coisa deve vir dento do peito que nos embale os pensamentos e os corresponda às nossas atitudes. E enquanto o meu pensamento cria vida própria, entendo o que o Neruda quer dizer com "...ele mexe com o destino, acompanha a sua vontade".
Vontade é algo particular, e já repetiram excessivamente que não devemos discuti-la, mas eu que não tenho asas como as de Ícaro, vôo longe como a Martha Medeiros, em um trecho de O Divã, onde ela me assegura que a intensidade compensa a distância... ”Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.”

Pensar em ser feliz me dá uma chance plena de felicidade. É a partir do meu olhar para o mundo que me desperto como posso melhor construí-la. Quando descobrimos que somar dois ou três dos nossos sentimentos resulta em realidade, aprendemos que viver é usar da coragem para escolher aquilo que nos faz bem. Um sentimento vazio não faz jus à vida linda que a gente tem para respirar, e evitando desperdiçá-la entre tanto, ou tão pouco, penso como é o universo de quem não sente alguma coisa. Agradeço então o meu coração com céu de Big Bang. Sempre renascendo.

Não infantilizarei o amor, tampouco a vida em sua evolução que condiz com a nossa maturação. E mesmo querendo ter os dois pés no chão, espero que a alegria e a esperança me façam levitar todos os dias, porque não acho que a felicidade nasça ao “cumprirmos” um destino.  É preciso criar um a cada dia, e entre o amanhecer contínuo que vivemos, desejo que a luz das minhas escolhas me revolucionem o peito com a mais pura, linda e louca alegria.
Para mim, só me peço que seja a minha vida vivida com a consciência Clara da Lispector que tão bem profetizou que acima de tudo, devo querer a mim mesma, de verdade.
"Sabe o que eu quero de verdade?! Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma, porque sem ela não poderia sentir a mim mesma."
Mona.
Crato, março de 2012. 

Para sempre, com Clarice.


"Quanto a mim tenho que lhes dizer que as estrelas são os olhos de Deus vigiando para que tudo corra bem.
Para sempre.
E, como se sabe, para sempre não acaba nunca. "

Clarice L.

quinta-feira, 22 de março de 2012

O Divino que há em nós.


"A boa pintura aproxima-se de Deus e une-se a Ele... Não é mais do que uma cópia das suas perfeições, uma sombra do seu pincel, sua música, sua melodia... Por isso não basta que o pintor seja um grande e hábil mestre de seu oficio. Penso ser mais importante a pureza e a santidade de sua vida, tanto quanto possível, a fim de que o Espírito Santo guie seus pensamentos..."

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (6 de Março de 1475 - 18 de Fevereiro de 1564), pintor e escultor italiano renascentista, tinha 66 anos quando acabou os frescos da Capela Sistina.




Abaixo, detalhe da pintura que reproduz Adão ao receber do Senhor o toque vivificador de Sua mão estendida, tocando os dedos ainda inertes do primeiro homem da humanidade.



O link abaixo remete-nos à biografia do homem, que dono de uma genialidade singular exerceu o seu dom com extrema fé e belissima devoção. Com ele aprendemos que o equilíbrio entre o amor, a entrega e a sabedoria, nos dá um coração manso, grato e feliz, capaz de realizar milagres no dia-a-dia. Revestido do pensamento de que "O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu", envolveu o seu trabalho neste sentimento. Havia unicidade no testemunho de vida de Michelangelo, o que possibilitou o reflexo da divindade nas suas obras, sobretudo nesta, fazendo com que emocionem-se todos os olhos que contemplando tamanha beleza, sintam intensamente o toque de Deus através de mãos tão humanas quanto as nossas.


Mona.
Crato, Março de 2012.

terça-feira, 20 de março de 2012

...So Kiss Me.



...E para continuar com replay de "Kiss Me", afinal ele poderia ser infinito, tem uma outra versão lindinha com o The Cramberries...Mais perfeita, impossível.

http://youtu.be/9EMgdsvkVuM

sexta-feira, 16 de março de 2012

Voando nas entrelinhas.



Não sei me explicar fazendo jus ao meu coração feito de estrelas, pássaros e borboletas. Prefiro romancear o que vejo, e tornar o improvável em algo incrível, como Van Gogh o fez. ”Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar.”

É muito bacana ter alegria e sonhar colorido. Agradeço ao meu Deus pelo dom da renovação que carrego, pela gratidão por tudo que já vivi, reconhecendo os meus limites e dificuldades, por já saber que não se encontra mais felicidade em qualquer coisa do mundo do que nas pessoas que cruzam as nossas vidas, e sobretudo pela fé que me alimenta os sorrisos, me ensina a ver a vida de uma forma abençoada, com respeito, cuidado, e uma esperança que não finda, que brota em si, igual à natureza podada de Cecília Meireles, que das suas partes, se refaz inteira.

Também sei que é necessário aprender a não depender somente da esperança para esperar o amanhã. Ao passo em que ela nos alimenta o caminho, nos dando fôlego para segui-lo, há a construção da autoconfiança, e de materialização dela. Simone de Beauvoir dizia que “É horrível assistir à agonia de uma esperança.” Deve mesmo ser. É frustrante depositar as nossas escolhas em um vale de sonhos, e vê-las destruídas pelo tempo e atitudes. Tudo o que é dito somente, vira pó se não feito. O tempo leva. Por isso, é preciso aprender a nossa medida, aquela que nos cabe inteiros. Em tudo. O equilíbrio é que nos faz mais, ou menos felizes. Balancear o que é importante sobre o que é irrelevante nos nossos dias, é uma tarefa com alteração constante. Inalterado o nosso eixo central, aquele que sustenta o nosso olhar sobre o mundo, tudo o mais é mutável. Iremos nos revisar tanto durante o caminho, que se olharmos para uma curta distância de dez anos passados, teremos sido outras pessoas, com outras prioridades, vontades, companhias. Até o nosso norte mudamos por desejar ir pro sul, em muitos dias. O sol há de nos seguir. 

Das nossas certezas, que nunca são tão inteiras, sei do que não desejo. Esta é uma certeza. Sei do que não quero. Agora, se ela é variável? Todas elas o são. Não existe nenhuma definição permanente para nada, e até mesmo as nossas vontades, aquelas mais aquietadas dentro da gente, um dia vão acordar carentes de serem de outra forma. Mário Quintana tem lindas palavras, que nos conforta sãos entre as marés dos quereres...” Nada jamais continua, tudo vai recomeçar!” É que tudo recomeça a cada instante. Cada uma das palavras que dizemos, seguidas das coisas que fazemos, definem as nossas escolhas, e apenas uma delas, um sim, ou um não, poderá nos dar outro rumo, a cada minuto. Incrível este poder de autoconstrução que temos nas mãos, não é? E ele, o Quintana, continua...” Quem disse que eu me mudei? Não importa que a tenham demolido: A gente continua morando na velha casa em que nasceu.”  Sempre teremos o nosso alicerce. As nossas lembranças, educação, família, ideais, sonhos, e até mesmo as nossas quedas, nos colocaram dentro de um livro de história pessoal. Não sabemos que final terá, mas as suas páginas sempre serão a nossa casa. Não importa onde estamos, os nossos passos, que somos nós, nos trouxeram até aqui, e é a partir daqui que sempre poderemos continuar, que quer dizer recomeçar. Eu recomecei continuando, e continuarei recomeçando a cada dia, independentemente do tempo que estiver aqui, ou da idade que tiver. É assim para todo mundo. Cada dia, um recomeço disfarçado de continuação. O que posso continuar fazendo hoje, ou quem sabe, descontinuar?

Falo tanto, sobre tantas visões, e quase sempre o que digo é a mesma coisa. Que eu sei que o amor é lindo. Mas acredito que ele “só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.” A Florbela Espanca morreu dolorida, mas no seu peito vazio ainda via horizonte nas suas esperas. Isto a iguala a todos nós que somos filhos do romance com a esperança... ”E se um dia hei de ser pó, cinza e nada, que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder... pra me encontrar...”

Enfim, sigo me revelando ainda muitas coisas...mas por enquanto termino hoje me dizendo só Clarice...

“Tudo acaba, mas o que te escrevo continua. O melhor está nas entrelinhas.”

Mona.
Crato, Março de 2012.

Rabiosa

...E porque hoje é sextaaaaaaaaaaa, o dia já começa vibrante, com corpo e mente em um ritmo só!!!




http://youtu.be/gqdFnKcmOHk

segunda-feira, 12 de março de 2012

Coisas da vida.



"- Ela é tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende."


Clarice Lispector

É certo que existem pessoas mais intensas do que outras. Há as que se reconhecem nos seus próprios sorrisos, e por isso riem tanto, com uma alegria quase irritante. Estas têm características marcantes, que se exibem permanentemente. Não sei explicar porque alguém se permite sentir mais ou menos, ou como algumas verbalizam os sentimentos sem falsos pudores, enquanto outras não os reconhecem, ou assumem. Acredito que aquelas sabem que o amor não mata, mas a falta dele, sim. O amor não precisa fazer sentido, mas descrever o que sentimos nos dá um. Além de ser esclarecedor, conscientiza-nos sobre quem somos, e consegue fazer com que jamais  percamos o sonho de sorrir verdadeiramente, comemorando a natureza dos sentimentos junto de alguém que generosamente, também os sinta. Assim pede Chico em Joana Francesa..."mata-me de rir, fala-me de amor", com todo o seu charme e apelo irrecusáveis.

Rita Lee, que entende além do que sabemos sobre a liberdade, e provavelmente tem um espírito intenso e sedento como o da Lispector, também viveu um grande amor e o colocou em palavras. Com ele, escreveu "Coisas da Vida" e nos revelou com os seus medos iguais aos nossos, a simbiose que há entre as escolhas, os passos e as dúvidas. Todos receamos os desencontros e a perdição dos "se" de todo o resto, mas esquecemos que no fim, o propósito de toda a caminhada é mesmo um só...encontrar a felicidade e ter a paz de vivê-la. Caminho este que deveria vir inscrito em nós, para nos setenciar à encontrá-lo,  ou quando durante os passeios pelos cruzamentos da vida o encontrássemos, que recebêssemos a garantia de não perdê-lo. Poderia ser um carimbo, um registro, um selo, uma luz..., uma palavra.

Para mim sempre fez tanta diferença percorrê-lo, que entre "viver ou saber que se está vivendo..." mesmo vivendo sob "o sagrado risco do acaso", escolhi sentir, porque já sei que saber é para quem sente. Vivendo sonhando, mas sentindo.... E mesmo sentindo que "ninguém sonhava mais do que eu", aprendi que até quem sonha e sente menos, tem o olhar voltado para as estrelas e procura vê-las, inclusive nos olhares. Pena que nem sempre estamos prontos para reconhecê-las nos encontros, e deixamos passar algo que fará muita falta, mas só no futuro. É certo que ele chegará, e junto virão todos os pensamentos sobre as dúvidas, sobre os sonhos, e as pessoas. Entre uma lua e outra, precisaremos de uma pausa para avaliar aonde escolhemos ir e perceber como estamos. Tomara a Deus que o resultado seja inteiro entre nós e o que continuamos a querer do mundo, mas se não for..."E porque há o direito ao grito, então eu grito..." não se ofenda, é a graça de compor o destino não escrito. Sempre poderemos escolher outra sorte, e outra saída.

“Depois da estrada, começa uma grande avenida. 
No fim da avenida existe uma chance, uma sorte, uma nova saída.
São coisas da vida.
E a gente se olha, e não sabe se vai ou se fica..."



Mona.
Crato, março de 2012.

sexta-feira, 9 de março de 2012

"Basta ser sincero, e desejar profundo."



Veja,
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba,
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés pra cruzar a ponte
Nada acabou, não, não

Tente,
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar
Não, não, não, não, não
Há uma voz que canta
Há uma voz que dança
Há uma voz que gira
Bailando no ar

Queira,
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo, vai
Tente outra vez

Tente,
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

Raul S.

http://www.youtube.com/watch?v=dTysnymYjvU&feature=youtube_gdata_player

Felicidade é...


"Não se preocupe com a perfeição.
Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade".
Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total.
A totalidade dá a você uma dimensão diferente."

OSHO

A isenção da perfeição na totalidade do que sou, me deixa mais livre para sentir as "borboletas no estômago" a cada passo que eu der em busca de prosperidade e paz. Valorizemos a alegria, e elas se multiplicarão ao bater as asas dentro de nós, porque saberão que temos esperança para alimentá-las e determinação em não deixá-las ir sem antes sentir o calor do sol, que nos ajuda a refletir juntas, a vida em movimento.

Para entender o que é a simplicidade de ter tanta alegria "somente" porque "o sol brilha para nós" e porque como no clipe, somos uma cidadela encantadora de serra, no interior, onde sempre é festa quando a chuva vem, escutei esta música linda, de nome ainda mais belo, e de repente...."Você vai rir, sem perceber. Felicidade é só uma questão de ser!"



Mona.
Crato, Março de 2012.

quinta-feira, 8 de março de 2012

De mãos dadas, como em uma Ciranda.


Cilene Franceschi pintou Ciranda, em 2010.

Gostei tanto da história que envolve este quadro. A Franceschi voltou de uma viagem à África e o pintou sob a alegativa de ter visto que independente de onde estejamos, somos todas iguais, e como em uma ciranda, volteamos daqui, ou dali, mas a cada rodada, uma de nós revela os seus passos e segredos ao mundo, como se fossem os únicos, embora nós saibamos que eles são os mesmos para todas nós. Sim, somos iguais.

Sejamos nós mulheres brasileiras, africanas, européias ou de qualquer outra parte do planeta, fomos feitas por Deus da mesma forma, com o mesmo material e propósito. As questões externas, culturais, religiosas e sentimentais diferenciarão o nosso passado e o nosso futuro, ao longo do presente das nossas vidas, inibindo ou revelando em nós os nossos dons, afinidades, vontades, motivos, e até mesmo as nossas marcas, as lágrimas e os sorrisos, farão nos nossos rostos e corações o desenho da nossa sensibilidade, vivências e intuições, inclusive do que não revelamos. Tudo se encontrará um dia.

O que é bacana é que construídas por Deus que somos, fomos escolhidas para ajudá-Lo a construir o Seu universo de filhos, e fazemos parte da grande festa abençoada que é gerar o próximo. Esta função quando não fisiológica, de visceral que é, acontece no cuidado e amor dedicados a qualquer ser que tenhamos como nosso em algum momento. Viemos com uma inscrição de cuidar, e para isto não é preciso marcar um dia. Sempre será tempo.

Passamos pelos olhares e mãos de várias gerações de mulheres, e muitas vezes nem sabemos o porquê de algumas das nossas características, mas se olharmos um pouco para trás, estaremos espelhadas entre as muitas avós, tias, amigas, vizinhas, professoras, filhas. O surgimento de cada mulher nas nossas vidas nos acresce um significado. A troca é tão intensa, que normalmente agregamos um saber a mais. Sabemos que “...Os saberes nem são maiores, e nem menores. São diferentes“, como nos ensina o Paulo Freire, na sua visão feminina de entender que as partes fazem o todo, e que o método melhor para aprender é mesmo o que ensina a somar.

Agradeço por todos os dias que as muitas mulheres da minha vida me tornaram quem sou. E em troca, espero tê-las dado um pouco de alegria e de calor. Fechando o círculo que representa o nosso sexo, posso nos imaginar pela vida em uma grande roda, sorrindo e cantando como em uma “ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar...”

Desta forma, de mãos dadas, gostaria que seguíssemos atentas a tudo que acontece a nossa volta, comemorando a nossa força e graça, com a firmeza e a leveza que nos pertencem.

Um beijo enorme!
Mona.
Crato, Março de 2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

E cada um tem o seu segredo.


"Flores envenenadas na jarra.
Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar.
Que riqueza de hospital.
Nunca vi mais belas e mais perigosas.
É assim então o teu segredo.
Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei.
E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu, assim como tu és o meu."


Em cada um de nós habita um abismo, uma zona não tão neutra, onde os conflitos subsistem com pouca luz. Eles abrigam nossos segredos e limites, vontades, potencialidades e dramas, principalmente aqueles que temos de mais secretos e que ainda não nos incorporaram, ou que nunca nos largaram. É onde todos os “se” escolhem ficar, visto ser magneticamente um lugar de idas e vindas.

Sei também que muitos ainda não sabem que os temos, e talvez jamais saibam. Há pessoas que não se questionam, ou não se enfrentam, e passam meio adormecidas pela vida. Mas eu poderia descrevê-lo dizendo que é aonde vimos um quase fundo, e é de lá que voltamos das nossas tristezas saudáveis para a sabedoria de receber mais uma alegria intensa e imperfeita, de perfeitas e limitadas que são todas elas. Ao retornarmos, como na volta de um mergulho, a pressa de chegar à superfície nos obriga a guardar com euforia, a respiração da subida para comemorar a certeza de ter terra à vista. O sopro do alívio de sentir o chão, nos faz engolir no segundo seguinte a paz de avistar novamente tudo o que nos pertence. A consciência do retorno nos liberta soltos, com a autenticidade de quem a tudo possui, para o próximo risco que é viver na imprevisibilidade de todas as nossas marés. Mesmo que vivamos na mais mansa delas, não esqueçamos que não há previsão segura sobre o tempo seguinte. Ele pode mudar em um único instante, e não será necessário pedir-nos permissão.

Martin Luther King que entendia de lutas justas, disse que “...É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder. Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver.”

É bem verdade que o contexto interfere. As razões também. E quanto a elas, de particulares que são, ofereço os meus ouvidos e respeito a todas. Mas após as descobertas de cada dia, é preciso agir com a urgência de quem tudo sabe. E embora a vontade determine mais do que a sorte sobre o nosso destino, entendo que para exercer a primeira é preciso orientação. De vez em quando, me pergunto:

“-Do que tenho vontade?”

Estou sempre descobrindo, e a partir do que percebo, desenho a minha rota nas condições que tenho para ser feliz agora. E como se tivesse uma bússola, penso que isso me orienta a seguir pelos caminhos entre os bancos de corais que ameaçam o meu casco. O meu desejo é apenas viver feliz, enquanto tento exercitar com simplicidade o equilíbrio entre o que quero e o que preciso ter para me manter navegando pacificamente. Dói um pouco reconhecer-me imersa no meio tempo das fases, aprender com as mudanças que vêm do amadurecimento por navegá-las é sofrido, sobreviver a alguns naufrágios deixa-nos com lembranças profundas, a aceitação do que construímos, ou do que já não podemos, muitas vezes enfraquece-nos, mas a confiança que outras coisas existirão e a fé de que será o melhor, já que é o fruto do que soubemos fazer, nos deve justificar quem somos, ou pelo que vivemos. Tempestades passam. “Olhemos para além das montanhas”, como sugere Nietzsche, mesmo que sejam as montanhas de areia, feito dunas ao vento, que temos dentro de nós.

No meu caso, os meus abismos não me dragam permanentemente ao fundo, embora me tirem o ar em pequenas pausas repositórias. Talvez porque eu não os evite, mesmo que os receie. Quando mergulho em um deles, me ausento nesta extensão até encontrar-me com o que tenho de melhor, e de pior. E neste momento, tento fortalecer o conjunto que sou. Posso dizer que das minhas faces, a pior delas sempre se afoga no sorriso feliz daquela que não sucumbe à falta temporária de luz ou de entrega. E quando vejo que a que sobrevive é esta que respira o mundo livremente, olho para o escuro que há a minha volta e me despeço do meu oceano de dúvidas e sonhos, sem revelar muitos dos meus enigmas. Não sei o que provocará o nosso próximo encontro sempre às escuras, mas me despeço de forma grata, com respeito, cantando Chico para nós...

“Eu bato o portão sem fazer alarde, eu levo a carteira de identidade...e a leve impressão de que já vou tarde.”

...Enquanto iço a minha âncora das águas que já não me pertencem, penso em seguir amando a verdade que me ilumina, sentindo a deliciosa brisa da esperança que me sopra o rosto e me faz lembrar que apesar de tudo, eu sou o porto de chegada. Para sempre, serei a enseada que abriga os meus temporais.

Mona
Crato, Março de 2012.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sem medo de ser feliz!


"Escolha, entre todas as escolhas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu filho, é perdição."
Caio F. Abreu


O novo tempo que é hoje.



''...Hoje vou viver pra esperança, pra coisas bonitas e sorrisos largos.
Mesmo que tudo dê pra trás. H
oje vou andar de mãos dadas com meu anjo da guarda...''

Caio F

Desapegando de ontem.



 ‎''Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado.... Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei...''

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Correio para você.


E a Clarice enquanto morava no exterior, em virtude da vida diplomática do seu marido, comunicava-se com os seus amigos por cartas. Longas e lindas cartas que podemos conhecer no livro Correspondências. Rocco, 2002.

Como era bacana e saudável àquela comunicação. Ainda consegui fazer parte desta delícia que era trocar cartas, quando saí cedo de casa para estudar fora do Crato. Tinha tanta alegria ao vê-las em cima da cama quando retornava do colégio, que dia desses ainda arrisquei causar a mesma alegria em um amigo querido. Enviei-lhe algo pelo bom e velho correio - em envelope amarelo, lacrado com um pincel embebido em cola branca.

Voltando ao livro, esta última que li é a resposta do Manuel Bandeira à Lispector, em 13 de agosto de 1946. Achei muito linda a forma como despediu-se dela, reafirmando ser um amigo do qual ela jamais deveria ter medo. Tão bom quanto ler, é ter certezas de abrigos como este!!

"Escreva-me Clarice. Escreva carta. Um cartãozinho seu já é uma delícia. Mas eu quero a delícia maior das cartas. E fale de você. Fale muito de você. Nunca tenha medo de falar de você para mim.
Receba um abraço e as saudades de...Manuel"

Esta e mais algumas das cartas estão disponíveis no site da Clarice.
http://www.claricelispector.com.br/carta_manuelBandeira.aspx


Mona.
Crato, fevereiro de 2012.

Enquanto me desfaço, me refaço.


"Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino. Pois juro que a vida é bonita."

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei."

Clarice Lispector. Clara como ela só.

Quanta lucidez tinha a Clarice! Chego a pensar como alguém pode ter sido tão lúcida com sentimentos femininos, pois sem generalizarmo-nos enquantro mulheres, sei que identificá-los por vezes é tão dificil...somos intensas demais para dizer o quanto fugimos, evitamos, negamos, e até vivemos o que sentimos. Tudo se mistura a determinada altura do chão. Quem não já confundiu-se enquanto pensava estar vivendo, e descobriu-se estar evitando viver? ou quem de nós já não achou que sentia de coração inteiro o que revelou-se ser fuga de si mesma? Sempre negamos do que fugimos. Sempre seremos pensativas demais a respeito dos nossos destinos. A cobrança atual, aguda, e pessoal, de não errarmos, está absurdamente disfarçada na liberdade de que tudo podemos fazer para sermos felizes. Mas será que fazemos?

Quero imensamente continuar minha vida real de felizes encontros e desencontros nada principescos, mas já me cobro pontualmente sobre não topar nas pedras que desencantam. Poderíamos fazer isso conosco? Evitar a queda com medo de não ser nada? Nada do que eu quero, ou nada do que o outro me diz? E se da queda surgirmos com tudo que queríamos? São férteis as dúvidas. Borbulham, se eu cultivá-las. Nas palavras "Claras" acima, extraídas de dois dos seus muitos livros, há a sugestão de que nos conheçamos até duvidar de quem somos ou do que sabemos, para aprimorar as nossas descobertas, e para que tenhamos certeza só de uma coisa...nenhuma certeza é para sempre. Não há definição permanente para nada, sobretudo para ninguém. 

É mais feliz quem aceita ir se construindo a cada dia, e entre a corda percorrida e a que ainda será, saiba aceitar as respostas do mundo, sendo "equilibristas até o fim".


Mona.
Crato, fevereiro de 2012.